O Luanda Medical Center (LMC) reuniu cerca de 100 enfermeiros, nutricionistas e outros profissionais de saúde para refletir e debater sobre a prestação de cuidados a doentes com diabetes mellitus, com enfoque nos serviços de internamento, e uma troca de conhecimentos e atualização de práticas clínicas com workshops e palestras especializadas.
“Apesar de ser uma doença crónica que requer cuidados ao longo da vida e que ainda não tem cura, já é possível viver em pleno com a diabetes mellitus. Para isso, no entanto, é fundamental que os pacientes implementem mudanças no estilo de vida e tenham disciplina para seguir o tratamento prescrito pelo seu médico”, afirmou Filipa Namoncito, enfermeira coordenadora do LMC, durante a iniciativa, que decorreu no passado sábado, em Luanda.
A diabetes mellitus é uma doença caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar (glucose) no sangue. Estima-se que existam atualmente 1,8 milhões de pessoas com diabetes mellitus em Angola, o que corresponde a 5,6 por cento da população. Só em 2020, foram registados 1.674 novos casos (84,5 por cento), sendo a diabetes mellitus tipo 2 a mais frequente.
“A adesão ao tratamento é hoje um dos maiores desafios no controlo adequado da diabetes mellitus. Para conseguir esse controlo, é necessário seguir um hábito alimentar saudável, praticar actividades físicas regulares e seguir o tratamento prescrito pelo médico. O empenho do doente, o acompanhamento profissional e o apoio familiar são também importantes. O acesso a informação de qualidade e o conhecimento sobre a diabetes mellitus, os seus riscos e consequências são também essenciais”, defendeu Filipa Namoncito.
Caracterizada como uma doença silenciosa, uma vez que os doentes podem passar anos sem manifestar ou notar quaisquer sintomas, a diabetes é frequentemente detectada numa fase avançada. Para Daniela Campos, Diretora de Enfermagem do LMC, a deteção precoce da diabetes é “fundamental para a prevenção de complicações graves”, permitindo aos profissionais de saúde desenvolver planos de tratamento personalizados que vão ao encontro das necessidades específicas de cada doente, conduzindo a uma melhor monitorização da glicemia e da saúde.
“As orientações sobre a gestão da doença, a gestão da diabetes a longo prazo; as escolhas alimentares resultam num controlo glicémico adequado, reduzindo o risco de complicações como a doença cardiovascular, a retinopatia, a neuropatia e a nefropatia. A deteção precoce é, portanto, fundamental para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e minimizar os riscos de complicações associadas à diabetes’, destacou Daniela Campos.